5 artifícios de roteiro que você já viu mas não sabe!

 In Cinema

A primeira coisa que precisamos fazer para produzir um bom filme é colocar as ideias no papel, organizando os principais pontos, assuntos e sequências que queremos explorar. Dessa forma, estamos elaborando um roteiro.

Para a construção de uma história que chame atenção ao maior número de pessoas, é necessário adicionar alguns artifícios que podem dar um toque especial e até cativante ao que está sendo contado; com o intuito de gerar no telespectador uma emoção diferente do normal.

A experiência inédita que muitos filmes trazem estão escondidas em detalhes e técnicas bem significativas para o roteiro. Quando assistimos alguma obra que nos tira o fôlego pode ter certeza que naquela película é possível identificar um ou alguns recursos de roteiro pensados para gerar essa sensação. Pensando nisso e em como podemos ajudar você a produzir os seus próprios vídeos, separamos 5 artifícios para um roteiro diferenciado.

1 – Cliffhanger


Vamos começar falando do Cliffhanger, ele foi usado pela primeira vez no início do século XX para o fim dos episódios de cinema mudo, o famoso “To Be Continued”. Geralmente essa técnica é usada para prender a atenção do público quando o personagem tem que tomar alguma decisão; criando uma curiosidade maior para o retorno do próximo episódio.

Sabe aquela sensação de ansiedade quando estamos vendo uma cena e ela acaba antes de ser resolvida? É exatamente isso que o cliffhanger provoca. Aqui no Brasil, a gente costuma chamar essa técnica de gancho. Ele funciona bem com filmes, mas na maioria das vezes esse recurso é usado para seriados e histórias em quadrinhos; designando a sensação e ideia de suspense. As novelas, por exemplo, são fortemente cheias de ganchos para prender a atenção do público.

O mais famoso cliffhanger está na história As Mil e Uma Noites, o livro é um conjunto de contos interligados por uma história principal aquela que faz você querer ler todas as páginas. Quando o rei da Pérsia descobre que sua mulher o traiu, ele manda matá-la; a partir daí todas as noites dorme com uma mulher diferente e na manhã seguinte elas têm o mesmo destino que a esposa. Porém, Sherazade foi uma das mais espertas e conseguiu se salvar apresentando ao rei um conto que toda noite terminava pela metade, despertando o interesse para a continuação da história na próxima noite.

Senhor dos Anéis: A Sociedade do Anel – 2001

Um dos maiores e mais angustiantes Cliffhangers do cinema é no finalzinho de A Sociedade do Anel, quando Frodo e Sam estão caminhando pela montanha e o filme acaba. Só no próximo você verá o que aconteceu. Curioso? Eu sei, também fiquei.

(Confira a cena a partir dos 2:20)

 

2 – Plot Twist


Com certeza você já ouviu falar no plot twist, uma técnica que já encanta pessoas há alguns anos. Ela acaba sendo uma sequência que vai te deixar pensando no filme durante alguns dias (ou anos, quem sabe). Aliás, por ser uma peça tão icônica acaba sendo um dos artifícios mais esperados pela audiência; em alguns casos eles até dão um interesse diferente no filme.

Essa técnica consiste em uma mudança inesperada do roteiro, uma virada. Quando o filme está seguindo um caminho e, de repente, ele é mudado radicalmente para algo inesperado.

Dessa forma, o filme ganha um ponto surpreendente que pode comprometer toda a história. O plot twist pode ser incrível se for bem estruturado, além disso acaba gerando um ótimo buzz entre o público. Mas cuidado para que o seu plot twist não seja vazio ou falso. Isso faz com que o público se afaste da obra.

Clube da Luta (you don’t talk about it) – 1999

O narrador do filme, em primeira pessoa, é um homem deprimido e vê sua vida tomando um rumo preocupante quando conhece Tyler Durden. Os dois passam a ser amigos, confidentes e parceiros de luta; mas não é qualquer luta. Tyler envolve o Narrador no seu mundo e juntos eles formam um clube cheio de regras rígidas onde homens precisam lutar. Tudo parece perfeito até o Narrador descobrir que Tyler não é quem ele pensa.

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3 – A Arma de Chekhov


O nome vem do escritor, médico e dramaturgo russo Anton Chekhov. Segundo ele, quando um objeto (no exemplo, uma arma) é mostrado com muita ênfase durante uma cena no começo do filme; ele está fadado a aparecer novamente para solucionar o problema. Caso contrário, não há motivo para a existência dele no filme.

Mas não precisa ser exatamente uma arma, nem um objeto. Até um personagem pode ser utilizado a partir dessa técnica. O que importa no fim das contas é que você pense muito bem a apresentação de qualquer item no filme, para que ele tenha uma  relevância em seguida.

Então, se a história dá um destaque maior a algo, nós automaticamente imaginamos que aquilo vai ter um porquê. Por isso recomendamos que você seja o menos óbvio possível quando quiser criar uma surpresa. Os detalhes determinam um bom enredo e precisam ajudar a história a ser contada e não confundir o público.

O Mágico de Oz – 1939

Nesse clássico é contada a história de Dorothy e seu cachorro Totó que são levados para a terra de Oz depois de um ciclone passar por sua fazenda no Kansas. Durante o roteiro, ela conhece vários personagens importantes para sua trajetória, viajando com eles em direção a Cidade Esmeralda; na esperança de encontrar um caminho de volta para casa. Porém, o que Dorothy não sabe é que um detalhe dado no meio do filme é a resposta.

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4 – Deus Ex Machina


Essa técnica surgiu no teatro grego e significa “Deus surgido da máquina”. Naquela época os deuses eram erguidos durante a peça e quando havia algum problema um deles “descia” para solucionar, sem explicação. Durante anos esse recurso foi usado em livros, quadrinhos, teatro e cinema, ela serve para indicar uma solução improvável de uma história.

O Deus Ex Machina pode ser divido em 3 níveis. O primeiro se chama “Total” o qual aparece um elemento que antes não havia sido mostrado; o segundo, “tempo e localização ilógicos” é quando o item foi mostrado em algum lugar, mas aparece em outro sem explicação plausível; já o terceiro se chama “cortar e colar”, esse é quando o roteirista retrocede algum momento da história para explicar o porquê de uma solução.

Guerra dos Mundos – 2005

No filme de Steven Spielberg, Ray Ferrier está cuidando dos seus filhos enquanto sua ex esposa está em Boston. Durante esse tempo, o planeta é atacado por alienígenas e então começa uma guerra entre as duas raças. Mas no desfecho do filme não são os militares que resolvem o problema e sim algo que nunca havia sido citado antes.

(Acompanhe a cena a partir dos 4:33 do vídeo )

 

5 – Red Herring


Quantas vezes assistindo a um filme de suspense você não aposta que já sabe quem está por trás de tudo? Quem matou? Foi o mordomo ou a esposa?

A técnica que vamos falar agora é o Red Herring, a tradução é Arenque vermelho. Arenque é um peixe; antigamente as pessoas salgavam muito esse peixe, deixando-o num tom avermelhado, o que dava um cheiro muito forte. Com isso ele era usado para treinar cães de caça e o cheiro servia para confundir o cachorro e desviá-lo do seu foco. É daí que vem a expressão.

No cinema, o Red Herring são as pistas falsas que o roteirista deixa durante o filme. Por exemplo, em algumas histórias de suspense são colocados um ou alguns red herrings para nos confundir e nos fazer pensar várias coisas, exceto a principal. Se a técnica for bem elaborada é provável que nós não iremos descobrir a resposta correta do mistério, afinal ficamos distraídos com essas outras pistas.

Harry Potter

Um dos maiores Red Herring da história é Snape Severo. Não vou falar muito para não dar spoiler, mas quem sabe, sabe.

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E então, conseguiu entender como você pode deixar seu roteiro mais interessante? Tem alguma dúvida? Deixe seu comentário e até a próxima!

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